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A CRONOLOGIA SECULAR CONTRADIZ A "CRONOLOGIA BÍBLICA"?

 

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Em janeiro de 2015, recebi os emails abaixo de um leitor "Testemunha de Jeová" que alega inconsistências na cronologia amplamente aceita sobre datas bíblicas durante o período neobabilônico, particularmente devido ao que viu no texto de 2 Reis 15:27, que aparentemente não está de acordo com fontes arqueológicas do período neoassírio. Ressalto que o desenrolar da conversa acabou por ampliar a discussão para outros assuntos. Mas todos eles estão, de certa forma, conectados com essa questão da cronologia defendida pelo leitor, embora não devessem estar.

 

Para melhor esclarecimento do que foi conversado, acrescentei colchetes com explicações complementares, que serão especialmente úteis para os que desconhecem o vocabulário e alguns aspectos da religião "Testemunhas de Jeová" (TJs) relacionados ao assunto em pauta. E no meu último email teci comentários mais abrangentes que poderão induzir leitores TJs à reflexão. Pelo menos deveriam, já que as TJs dizem que se apegam somente à Bíblia.

 

 

Email 1 recebido:

 

Sr. Adelmo,

 

Como tem passado?

 

Escrevo-lhe respeitosamente para opinar sobre seu artigo postado já algum tempo sobre a data da destruição de Jerusalem: 587 ou 607 BC?.

 

Neste artigo o Senhor critica com demasiada enfase as testemunhas de Jeová por se apegarem a esta data .

 

Tenho que lembra-lo que, caso não saiba, as testemunhas de Jeová se apegam estritamente à bíblia como sendo a palavra de Deus, e quando se trata de cronologia elas acreditam de imediato na cronologia bíblica e não em historiadores "indecisos" quanto a em quem ou em que acreditar. Exemplo: A bíblia relata que o rei Peca de Israel governou durante 20 anos ( veja 2 Reis 15: 27 ), no entanto, historiadores renomados como Edwin Thiele e W.F. Albright dizem que foram apenas 9 ou 10 anos.

 

Veja na Wikipedia sobre cronologia dos Reis de Israel e poderá confirmar , ou seja , quando se trata de confiar no relato bíblico ou em achados arqueológicos , a maioria prefere a segunda opção. Para um cristão, a decisão é inequívoca: acreditar na bíblia. Mas, por que historiadores renomados e toda escola arqueológica e cronológica acredita em Thiele e Albright?

 

Caso deseje saber terei prazer em responder, pois, Jesus disse que procurassemos merecedores ( note Mateus 10: 11) , no entanto, peço que me informe, se desejar, se és cristão e se acredita na bíblia como sendo a infalível palavra de Deus. ( o motivo é que pela internet se espalhou muitos que fazer "trollagem" e eles não tem nenhum compromisso com a verdade e só querem provocar dicussões infundadas e para pura perda de tempo).


Atenciosamente,

 

Lucas Maia*

 

* O nome foi trocado.

 

 

Resposta 1:

 

Olá Lucas,


Primeiramente, grato por visitar meu website.


Sim, sou cristão e acredito que a Bíblia é a Palavra de Deus, embora alguns pontos nela possam ser questionados devido aos tradutores não chegarem a um acordo sobre qual seria a tradução correta. Sem falar que alguns versículos contém palavras com sentidos completamente diferentes quando manuscritos antigos são comparados (geralmente, em assuntos de pouca importância). Conforme você sabe, não existe uma Bíblia padrão “original” guardada sob uma redoma a partir da qual as traduções são feitas. O que há são milhares de manuscritos, cópias de cópias, feitas zelosamente por judeus da antiguidade e monges católicos medievais. Sem o trabalho desses homens não teríamos o que hoje conhecemos por “Bíblia Sagrada”. Até mesmo as versões impressas chamadas de “texto padrão” são produtos da dedicação de eruditos provenientes de religiões que as “Testemunhas de Jeová” (TJs) acusam ser falsos servos de Deus (“Cristandade”, “Babilônia, a grande”, “Homem que é contra lei” etc). Você, se for TJ, sabe bem disso, melhor do que eu... Mas isso é outra história. Vamos ao que você perguntou.

 

Não me leve à mal, mas não acho que eu necessite de algum esclarecimento de sua parte, pois já estudei esse assunto exaustivamente, consultando nos mínimos detalhes várias fontes, inclusive TODAS as publicações da Torre de Vigia a respeito. No início até gastei uma boa soma em dinheiro para adquirir publicações muito antigas da Torre de Vigia, a exemplo de livros escritos por C. T. Russell*. Embora existam ótimas versões digitais, eu achava que tinha que possuir os livros em papel para mostrar aos meus amigos TJs, caso contrário eles não acreditariam em algumas referências. Existe uma tendência perniciosa entre as TJs de achar que quase tudo o que se escreve sobre elas é mentira, fruto de motivações desonestas, e as TJs jamais consideram a possibilidade da verdadeira desonestidade partir da cúpula que elas chamam de “Corpo Governante” (e isto, de fato, acontece, quer você acredite ou não). Alguns desses meus amigos até deixaram de ser TJs depois que descobriram a verdade sobre esse e outros assuntos, apesar de alguns deles terem permanecido, mesmo já convencidos do erro que é a cronologia defendida pela Torre de Vigia, referente ao período neobabilônico. Permanecem por conta das amizades e/ou parentes. Não os condeno. Cada um é livre para servir a Deus da maneira que quiser. Na verdade, esse assunto que tanto preocupa a você não terá nenhum peso quando chegar o julgamento de Deus. O cristão será avaliado por seu comportamento no mundo, especialmente se demonstrou o altruísmo incentivado por Jesus. Isto é importante! O resto é apenas informação.

 

[ * Charles Taze Russell, fundador da Sociedade Torre de Vigia dos EUA, no final do século 19.]

 

Pois bem, gostaria de fazer-lhe um pedido. Leia TUDO o que eu escrevi a respeito de cronologia, sem deixar escapar nenhum detalhe. Depois disso, se mesmo assim você achar que algo importante faltou no meu exame, aí sim, você pode ficar à vontade para enviar suas considerações. Eu as examinarei, conforme o tempo permitir. Mas é imperativo que você leia tudo integralmente, porque às vezes TJs me escrevem falando e perguntando coisas que já estão cabalmente explicadas em meus artigos. A impressão que fica é que elas nunca leem com seriedade o que foi apresentado. Estão mais ansiosas em defender a “verdade” sobre a “cronologia bíblica” (= cronologia da Torre de Vigia) do que estudar o assunto de maneira meticulosa. Não percebem, por exemplo, que sem as fontes seculares não é possível determinar nenhuma data da história bíblica. As “datas fundamentais” a que se apegam, que servem de ponto de partida para todos os cálculos que fazem, foram extraídas de registros seculares. Ou seja, criticam a fonte mas se não derem uma bicadinha nela não saem do lugar...

 

Um motivo adicional do meu pedido acima é que você comete outro engano em seu email. Em momento algum eu desprezei a Bíblia nos meus escritos, como fica implícito em suas palavras. Pelo contrário! A data 587 a.C. para a destruição de Jerusalém não só é uma data bem estabelecida historicamente, como está em perfeito acordo com as Escrituras Sagradas. Caso leia todo meu material não restará dúvida na sua mente sobre isso, mesmo que seu desejo ardente de querer salvar a cronologia da Torre de Vigia persista, por conta do apego emocional que você tem à religião TJ. E acredite, não sou inimigo dessa religião. Meu compromisso é apenas com a verdade, a verdadeira verdade, e não essa que vocês costumam mencionar no cotidiano. De fato, acho até que a religião TJ tem aspectos formidáveis, a exemplo de sua ótima estrutura organizacional. Mas ela, a religião, precisa evoluir. Infelizmente, talvez ainda leve alguns séculos para ela admitir que errou feio nesse assunto da cronologia e em outros mais, a exemplo da desassociação, que não encontra nenhum apoio nas Escrituras, pelo menos não da maneira praticada entre as TJs, que pune tanto por pecados reais quanto por pecados imaginários (discordar da data 607 seria um destes, apenas para mencionar um).

 

Caso aceite minha sugestão de estudar o que escrevi, antes de começar a leitura da consideração mais longa, leia primeiro o artigo indicado no link abaixo:

 

ESTUDO PROSOPOGRÁFICO DA ANTIGA MESOPOTÂMIA

 

Como ele é mais curto, servirá de ótimo pontapé inicial para a sua jornada. E posteriormente, com a leitura das considerações mais longas, você verá que, na verdade, a data 587 não só tem um apoio absolutamente seguro em sentido secular, mas também está em perfeito acordo com a Bíblia, ao invés do ano 607, que é sustentado pela Torre de Vigia apenas com o intuito de preservar o ensino “dela” sobre 1914*. Aliás, no ano que passou completou 100 anos desde essa data. Certamente, os precursores da TJs de hoje, os Estudantes Internacionais da Bíblia, jamais considerariam essa possibilidade: dos “últimos dias” virem a durar tanto tempo, não é mesmo?

 

Por fim, sugiro que não tenha pressa em estudar o que recomendei. Em geral, leva muito tempo para assimilar de maneira adequada todo conteúdo. Também não se preocupe em me responder logo. Tire este ano para essas tarefas, ok? :-)

 

É isso. Espero nos falarmos no futuro. Se eu demorar a responder, não estranhe, pois ultimamente tenho acessado pouco a Internet.

 

Um abraço!

 

[ * A entidade dirigente das TJs, a Sociedade Torre de Vigia dos EUA, ensina que os "últimos dias" que precedem o "fim do mundo" começaram em 1914, depois de um período profético de 2.520 anos chamado de "Tempos dos Gentios", que começou a ser contado do ano em que Jerusalém foi destruída pelos babilônios. Embora todos os livros de história afirmem que isso aconteceu em 586/587 a.C., a Torre de Vigia diz que foi em 607. Pouco tempo depois do fim do "tempo dos gentios", em 1919, após uma criteriosa inspeção espiritual nas religiões cristãs, Jesus escolheu a Torre de Vigia como sendo a única autorizada por ele para ensinar e conduzir os verdadeiros cristãos da Terra, e decretou que a partir daquele momento somente os associados da Torre de Vigia são tais cristãos. (Naquele tempo eram apenas alguns milhares, e se chamavam "Estudantes da Bíblia"; o nome "Testemunhas de Jeová" foi adotado somente em 1931). Todos os demais que professam o Cristianismo, milhões de católicos, ortodoxos, protestantes e outros, são falsos cristãos. Somente por se converterem à religião "Testemunhas de Jeová" é que terão esperança de sobreviver à destruição global que Jesus trará, no Armagedom. A cúpula de comando da Torre de Vigia, formada por alguns homens, é chamada de "Corpo Governante". Apenas através deste grupo é que Deus revela atualmente suas verdades. Resumidamente, este é o conceito de exclusividade religiosa que as TJs têm. Para quem está acostumado somente com aquele Cristianismo simples que lemos nas páginas da Bíblia, pode ficar até com um "embrulho" no estômago ao saber dessa versão de cristianismo das "Testemunhas de Jeová"...]

 

 

Email 2 recebido:

 

Sr Adelmo,

 

Repito o que disse sobre os historiadores seculares que desprezam a cronologia de Deus contida na bíblia para se apegarem as suas próprias deduções dúbias sobre datas passadas em suas cronologias às vezes inexatas e contraditórias.

 

Novamente: O maior cronologista é Deus, e se Ele diz que o rei Peca de Israel governou 20 anos, pode ter certeza que foram realmente 20 anos. Sabia que os historiadores mais respeitados no mundo cortam pela metade o tempo de governo do rei Peca só para se encaixar na cronologia inexata deles.? Vai aceita-la (a cronologia secular) antes de fazer um escrutínio minucioso para ter certeza de que não está sendo enganado também?

 

Um verdadeiro cristão faria tal escrutínio caso ele estivesse ansioso e desejoso de saber a real verdade sobre 587 AC e 607 AC
A bíblia dos que o simples dá credito a tudo , ou seja, acredita sem por o assunto à prova.


Espero que seja um cristão que pesquisa a fundo cronologia, pois, estou lhe abrindo os olhos para o erro que está sendo induzido a crer.
Caso sua intenção é só parolar sobre vários assuntos pela internet, desconsidere este meu email e não perca tempo em responder-me, porém, SE SEU INTERESSE É NA VERDADE DE DEUS, POSSO AJUDA-LO A 'VER' COM MAIS CLAREZA A CORRETA CRONOLOGIA BÍBLICA. A MENOS QUE VOCÊ NÃO ACREDITE NO RELATO DE 2 REIS 15:27.


NO OUTRO EMAIL LHE PERGUNTEI SE ERAS CRISTÃO E ME RESPONDESTE QUE SIM,; AGORA LHE PERGUNTO: ÉS UM CRISTÃO QUE DEFENDE A BÍBLIA COM SENDO A PALAVRA DE DEUS MESMO QUE HISTORIADORES A DESMINTAM?

 

SE ÉS MESMO, LEIA O ARTIGO ABAIXO E SE PUDER COMPRE ATÉ MESMO O LIVRO CITADO PARA CONFERIR COMO SATANÁS ENGANA OS INCAUTOS.

 

DE QUEBRA PROCURE SABER QUEM FOI EDWIN R THIELE E TERÁS UMA. SURPRESA DESAGRADAVÉL E DECEPCIONANTE.

 

ATENCIOSAMENTE,

 

[Depois de assinar o email, o leitor "colou" trechos de um livro que trata de "cronologia bíblica". O texto citado pode ser visto clicando no título do livro que está indicado nos links abaixo (versões em português e inglês). Ele menciona um suposto especialista, chamado Rolf Furuli, que apoia a data 607. Na verdade, Furuli é uma "Testemunha de Jeová" da Noruega, mas normalmente isto é omitido pelos que fazem uso do seu trabalho.

 

Aproveitando, note a "sutileza" presente na maneira de raciocinar das TJs. Como é de costume, acham que aqueles que não aceitam a cronologia da Torre de Vigia são "incautos", enganados "por Satanás". Como se os cronologistas seculares tivessem algum dogma religioso que depende da cronologia que sustentam. Eles não têm esse tipo de motivação, ao contrário da Torre de Vigia. Colocar a discussão sempre nesses termos preconceituosos já se tornou quase uma obsessão para as TJs.]

 

Os Números Misteriosos dos Reis Hebreus

 

The Mysterious Numbers of the Hebrew Kings

 

 

Resposta 2:

 

Bem, Lucas.

 

É uma pena que seu único propósito seja defender a cronologia de preferência da Torre de Vigia, ao invés de se ater a uma pesquisa livre dessa premissa. Ao término dum estudo isento, naturalmente chegar-se-ia à conclusão de qual é a cronologia realmente correta.

 

Se apegar a uma pequena dificuldade (“rei Peca”), cujo peso é insignificante quando comparado ao montante global de evidências, é abandonar o que realmente deveria ser perseguido prioritariamente. É mudar o foco. Estratégia recorrente de quem se vê sem argumentos diante de uma questão.

 

Em qualquer estudo que se faça para saber se uma determinada informação é verdadeira ou não, poderão surgir tanto evidências a favor quanto contra. E se colocarmos na balança aquilo que favorece a cada uma dessas datas (587 e 607), a “balança” penderá violentamente para o ano 587, devido a “toneladas” de evidências bíblicas e arqueológicas a seu favor, ao passo que no outro “prato” estarão apenas algumas gramas em apoio à data 607. O que é mais sensato? Procurar harmonizar as poucas gramas de evidência contrária à data 587 ou se apegar irracionalmente a elas, ignorando o fiel da balança? Fiar-se relutantemente ao ponto que você mencionou e não querer saber do resto é escolher a segunda opção. (Neste caso, não critique mais os evangélicos por fazerem o mesmo ao acreditarem no Deus trino, pois realmente há indicativos na Bíblia em favor dessa crença). Pelo visto, você ainda não tem consciência que rejeitar a data 587 ocasionaria contradições gigantescas absolutamente insanáveis. É por este motivo que eu gostaria que primeiro você estudasse as considerações que publiquei para, eventualmente, no futuro falarmos desse pormenor que para você é tão importante.

 

De novo... Para se descobrir uma data bíblica, conforme o nosso calendário, qualquer duração de tempo mencionada na Bíblia não pode ser determinada sem uma referência secular, extraída da arqueologia. O que a Bíblia menciona são períodos de tempo soltos no ar, sem nenhuma referência calendar. Então, os líderes da Torre de Vigia seguem um raciocínio assim: “Ok, a cronologia secular baseada em fontes pagãs não é bíblica, e não devemos confiar nela. No entanto, precisamos pegar umas duas datas dessa cronologia que possamos considerar absolutamente confiáveis, e usá-las como ponto de partida para os nossos cálculos. Caso contrário, não saberemos onde situar no tempo as datas bíblicas.” Como é de costume, as TJs não esboçam nenhuma resistência a esse tipo de pensamento (ainda mais num assunto sobre o qual a maioria das pessoas não gosta de estudar). Mas o problema é que os envolvidos nessa brincadeira de querer mudar a história não percebem que as datas absolutamente confiáveis da cronologia secular, tomadas emprestadas para dar vida à “cronologia bíblica”, são confiáveis pelos mesmíssimos critérios que indicam que Jerusalém foi destruída em 587! Será que é tão difícil assim perceber que existe algo estranho nessa estratégia adotada pela Torre de Vigia?

 

Somente sob o véu de uma autoridade religiosa, como aconteceu na Igreja Católica durante a Idade Média, é que pessoas não se dão conta de incoerências como essa acima descrita. A maioria das TJs (você talvez seja exceção) não está nem aí se há um forte fundamento para a data 607, e não está realmente preocupada em conhecer o assunto em profundidade. As TJs se apegam a essa data apenas porque a autoridade religiosa delas disse que é assim. Se daqui a algumas décadas essa mesma autoridade desse o braço a torcer e admitisse publicamente que errou e reconhecesse as datas históricas, as TJs acatariam a mudança com a mesma submissão e apatia de sempre. E os que tivessem defendido por conta própria o antigo ensino ficaria a ver navios.

 

Conheci um ancião TJ que foi desassociado porque passou a ensinar que a 'geração que não passaria' até que ocorresse o "fim do mundo" não era a geração de 1914 (Marcos 13:30). A Torre de Vigia ensinava que era. Comissões foram formadas. “Sábios” TJs convocados para mostrar-lhe o quanto estava errado, mas nada o demoveu se sua opinião, e foi expulso (naturalmente ele continuou a ser cristão). Eis que uns quatro anos depois é publicado um artigo na “Sentinela”, em 1995, informando que a “geração que não passará” realmente não é a geração de 1914, dizendo ainda que aqueles que atrelam a referida passagem bíblica a uma data específica ‘não têm um coração de sabedoria’. (Fala sério!) E os que condenaram aquele ancião ficaram “chupando o dedo”...

 

[ Na religião TJ “ancião” é um cargo equivalente a “pastor” em um igreja evangélica. Quem é desassociado na religião TJ se torna um pária para os que ficam, não sendo sequer cumprimentado se o encontrarem na rua. Os motivos que levam uma TJ a ser desassociada são os mais variados, e alguns deles não estão na Bíblia. Foram criados com base em opiniões do "Corpo Governante". É assim que funciona a "excomunhão" que a Torre de Vigia inventou.

 

Com relação ao ensino da "geração que não passará", um trecho do prefácio da revista Despertai! antigamente dizia:

“Importantíssimo é que esta revista gera confiança na promessa do Criador sobre um novo mundo pacífico e seguro, antes que desapareça a geração que viu os acontecimentos de 1914.” – edições de 1989.
(Depois eles trocaram "antes que desapareça" por "antes que passe").

 

A partir de 1995, porém, o prefácio passou a dizer:

“Importantíssimo é que esta revista gera confiança na promessa do Criador de estabelecer um novo mundo pacífico e seguro, prestes a substituir o atual mundo perverso e anárquico.”


A alteração foi feita para se harmonizar com o mencionado artigo da Sentinela que trouxe a “nova luz” sobre o assunto, ao informar que a "geração que não passará" são simplesmente as pessoas que estivessem vivas no "tempo do fim", sem importar suas datas de nascimento ou o quanto esse período vai durar. Conheço um proeminente ancião local que, depois de ver essas explicações, disse: “A Sociedade pisou na bola…” rsrs (algumas TJs costumam chamar a Torre de Vigia de “sociedade”, especialmente as mais veteranas).

 

Este caso demonstrou que a Sociedade realmente não precisa de inimigos. Ela mesma gosta de se complicar publicamente. As TJs mais atentas já tinham percebido que o conceito da "geração que não passará" estava prestes a ser mudado. Foi o caso do referido ancião. A liderança das TJs já dava sinais nesse sentido. Por exemplo, num vídeo que promove os escritórios e parques gráficos da Torre de Vigia, em dado momento, o narrador reproduz verbalmente o que há nos prefácios das revistas que publicam. Ao ler o prefácio da Despertai!! ele deixa de fora a desconcertante afirmação de que 1914 faz parte da "promessa do Criador". Isso aconteceu em 1989. O nome do vídeo é “Testemunhas de Jeová – A Organização que leva o Nome”. Ou seja, eles já haviam decidido pela mudança alguns anos antes de 1995. Estavam apenas dando mais um tempo.]

 

Então, Lucas, é esse tipo de sistema religioso que você quer apoiar de forma tão irrestrita? Rapaz, isso tudo não passa de uma grande brincadeira! Como é que vocês não percebem isso? É a passagem do tempo que força essas mudanças, e não um refinamento gradual de entendimentos. Não são as velhas “novas luzes”, conforme vocês dizem, luzes estas que nunca dissipam por completo a escuridão.

 

Sinto dizer, meu amigo. Infelizmente, você ocupa hoje a mesma posição daqueles católicos fervorosos medievais que aprovavam a condenação de pessoas inocentes que cometeram o "pecado" de discordar de alguns ensinos da autoridade religiosa (papado). E, às vezes, nem eram ensinos tão importantes assim, do ponto de vista teológico. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Galileu Galilei, que ousou cruzar o limite imposto pela Igreja. Demorou alguns séculos para ela admitir o erro, mas admitiu, pelo Papa João Paulo II, que veio a público pedir perdão pelo caso. Eu imagino que com a Torre de Vigia não será diferente. Por ser uma religião recente ela ainda tem muito a aprender, e amadurecer. Quando passar alguns séculos e o “fim do mundo” teimar em não chegar, seus líderes perceberão que algo errado aconteceu (na verdade, eles já sabem disso hoje, mas não estão propensos a esse ato de humildade). Então, muito provavelmente eles também irão pedir perdão pelo “inconveniente” causado a um número indeterminado de inocentes.

 

Não sei se você sabe, as TJs já têm à disposição as devidas fontes de esclarecimento. Uma leitura altamente recomendada, por exemplo, é o livro “Crise de Consciência”, do ex-membro do Corpo Governante (CG) Raymond Franz, com quem já tive oportunidade de conversar algumas vezes. Nessa obra ele relata que os membros do CG nunca tiverem absoluta segurança de sua cronologia, e o único membro que realmente estudou o assunto, a mando dos demais, foi o próprio Raymond Franz. Por ser uma pessoa honesta, depois da pesquisa que fez, obviamente ele deixou de crer na “cronologia bíblica” da Torre de Vigia. (Antes disso ele havia escrito o verbete “cronologia” do Estudo Perspicaz das Escrituras, à época chamado de Ajuda ao Entendimento da Bíblia). Por não querer mais participar de uma cúpula responsável por manter milhões em ignorância “esclarecida”, ele pediu para sair do CG e algum tempo depois foi desassociado como “queima de arquivo”. Infelizmente, histórias como essas não chegam ao conhecimento das TJs medianas, por conta da política do medo posta em curso pelo CG. Qual o cristão que em sã consciência passaria a estudar informações patrocinadas pelo Diabo? Técnica bem eficiente esta. Tem funcionado desde a Idade Média, para os que levam religião a sério. :-(

 

O motivo das TJs serem proibidas de ler informações de escritores imparciais, que são taxados de “opositores” ou “apóstatas” pela Torre de Vigia, é que se elas fossem liberadas para estudar o que quisessem, de acordo com a própria consciência e conforme incentiva a Bíblia, a religião TJ desmoronaria feito um castelo de cartas, pois possivelmente a maioria de seus integrantes daria as costas a essa religião, com muita vergonha e pesar.

 

Você diz que preza apenas a Bíblia, e rejeita a cronologia secular. (O que sabemos que não é bem verdade, pois você não vê problema a Torre de Vigia tomar emprestadas pelo menos duas “datas fundamentais” da cronologia secular). Pois bem, a Bíblia é muito clara ao dizer:

 

“Estas nações terão de servir ao rei de Babilônia por setenta anos.” – Jeremias 25:11.

 

“Quando se completarem os setenta anos, castigarei o rei de Babilônia e a sua nação”, diz O SENHOR. – Jeremias 25:12, Nova Versão Internacional.

 

Pela cronologia falha da Torre de Vigia, os 70 anos terminaram em 537 a.C., porém o rei de Babilônia foi castigado em 539 a.C., dois anos antes do prazo marcado por Deus.

 

Por outro lado, pela cronologia secular, que está de acordo com fatos bíblicos, os setenta anos terminaram em 539 a.C., e foi justamente em 539 que Babilônia foi punida, precisamente no tempo previsto no texto!

 

Então, baseado na evidência acima (e há MUITAS outras) qual a cronologia parece realmente bíblica para você?

 

Para mais detalhes, veja as duas considerações abaixo:

 

SETENTA ANOS PARA QUEM?

 

BÍBLIAS DA TORRE DE VIGIA QUE TRADUZEM CORRETAMENTE JEREMIAS 29:10

 

Detesto informar que Papai Noel não existe, mas tenho feito isso quando provocado. Abra o olho! Quem está sendo enganado é você! De qualquer modo, parabenizo você por querer se aprofundar no assunto. Esta não é uma atitude comum de uma TJ mediana. O que demonstra que você é uma TJ diferenciada.

 

Estou assumindo que você é TJ, embora você não tenha afirmado categoricamente. Falo isso porque conheço simpatizantes que nunca quiseram se converter à religião TJ, no batismo, mas têm mania de se identificar quais TJs e ser apologistas delas. Talvez porque as publicações da Torre de Vigia são muito precárias nesse assunto “cronologia”, sendo facilmente refutadas por especialistas. Pessoas do rebanho TJ é que têm assumido essa árdua tarefa, sendo Rolf Furuli a mais importante delas.

 

Você sabe que Rolf Furuli é uma TJ lá da Noruega, não sabe? Carl Olof Jonsson, da Suécia, já se encarregou de refutar as alegações de Furuli e dizer ao mundo que ele é TJ, não sendo, portanto, um erudito imparcial, e que seu único objetivo é salvar a cronologia da Torre de Vigia, tarefa que ela não conseguiu alcançar ante os olhos do mundo. O empreendimento de Furuli é uma decisão absolutamente consciente, pois antes dele começar a publicar sobre o assunto cronologia ele trocou algumas correspondências com Carl Olof Jonsson, que é ex-ancião TJ. Carl alertou Furuli de maneira clara e objetiva sobre a inconsistência de suas alegações, e este não conseguiu refutar o que recebeu, pedindo em seguida para não mais se falarem. (Por que será?...) No entanto, hoje Furuli é referência obrigatória para os apologistas TJs, apesar de ainda não ter sido citado diretamente nas publicações da Torre de Vigia, pelo menos até onde eu sei.

 

Mantenho minha sugestão, de você começar essa análise lendo primeiramente tudo o que escrevi sobre cronologia. Se quiser ampliar a pesquisa em outras fontes “proibidas”, a exemplo de Carl Olof Jonsson e Raymond Franz, melhor ainda, pois aquilo que escrevi são apenas resumos do assunto, por mais que pareçam longas considerações. Carl e Raymond se aprofundam muito mais. Também recomendo você estudar no futuro a história por detrás do ensino dos “sete tempos dos gentios”, na época dos “Estudantes da Bíblia”. Essa história foi contada com riqueza de detalhes no livro "Tempos dos Gentios Reconsiderados". Você verá que ainda existe mais bagunça no surgimento desse ensino. Por exemplo, os "Estudantes da Bíblia" achavam que 606 era a data inicial dos “7 tempos”, e originalmente a fonte de onde tiraram essa data dizia, na verdade, que 606 foi o 18º ano de Nabucodonosor, e não o ano da destruição de Jerusalém. E por um erro na contagem (por não haver “ano zero”) eles calcularam que os 2.520 anos terminariam em 1914 A.D., ao invés de 1913. Eles achavam que o Armagedom viria junto com o fim dos “tempos dos gentios”. Porém, o ano veio e se foi sem que ocorresse o que eles esperavam. Entretanto, algo realmente aconteceu: a Primeira Guerra Mundial. Ou seja, miraram no que viram e acertaram no que não viram. Por essa razão, o ensino foi mantido com os devidos “ajustes”, e sobre ele a Torre de Vigia construiu um castelo monumental de especulações, baseado em sua suposta autoridade conferida por Jesus em 1919.

 

Para finalizar, recomendo também a leitura do que os especialistas em cronologia acharam da maneira que foram citados no último artigo da "Sentinela" que tratou de maneira mais longa a questão da cronologia neobabilônica. Escrevi para a maioria dos especialistas citados e o que me responderam eu publiquei no link abaixo:

 

O QUE OS ERUDITOS ACHARAM SOBRE COMO FORAM CITADOS NA SENTINELA

 

É outra faceta interessante do assunto que vale a pena ser verificada.

 

É isso, amigo. Considere-se com sorte de estar recebendo essas minhas considerações. :-) Se você tivesse escrito para mim em outro momento, provavelmente você nunca teria recebido resposta.

 

Tenha um ótimo 2015! E continue estudando!

 

 

Email 3 recebido:

 

Sr Adelmo,

 

Ao meu ver lhe parece conveniente deixar de lado o fato de que os historiadores atuais chamam a Deus de mentiroso, quando o Sr escreve: "Se apegar a uma pequena dificuldade (“rei Peca”), cujo peso é insignificante".

 

Isto é " pequena dificuldade" para quem não quer compromisso sério com a verdade de Deus; se Deus diz que ,um período de tempo foi 20 anos e alguém tenta corrigi-Lo , o Sr ainda bate palmas e aplaude com aprovação a conclusão de tais historiadores? Caso não tenha percebido , os anos de reinado tirados do rei Peca e de Oséias somam exatamente os 20 anos da diferença entre 607 e 587 AC.

 

[Novamente, note como funciona a argumentação das TJs. E este não é um caso isolado, conforme a experiência tem demonstrado. Mesmo as mais educadas, como é o caso deste leitor, costumam lançar palavras de julgamento contra pessoas que nem conhecem. Para ele, alguém não considerar válido o argumento da Torre de Vigia significa sumariamente não ter "compromisso com a verdade de Deus" e 'chamar Deus de mentiroso', como se não houvessem argumentos totalmente aceitáveis para sanar ou minimizar o problema mencionado. Aliás, as TJs costumam chamar de "verdade de Deus" qualquer ensino vindo da Torre de Vigia, mesmo que depois algum deles venha a ser abandonado. As TJs também não costumam compreender muito bem a dinâmica de transmissão dos manuscritos bíblicos no decorrer dos séculos, sobre como a Bíblia chegou até nós. Razionalizam um cenário simplista sem margem para ponderações críticas.]

 

É claro, se o Sr considera estes fatos insignificantes , não lhe será problema algum deixar de lado isso, pois, para que se ater em certificar-se de todas as coisas ( 1 Tessalonissences 5:21).

 

Ainda mais que Jesus disse: " Quem é fiel no mínimo também é fiel no muito..." (Lucas 16:10) ; o que lhe parece insignificante ou mínimo para Deus não o é, lembre-se de que Satanás também chamou a Deus de MENTIROSO e o Sr já sabe no que deu. NÃO ADIANTA SER CRISTÃO APENAS NOMINALMENTE, SOMENTE QUANDO A SITUAÇÃO LHE É FAVORÁVEL OU LHE CONVÉM;

 

Quando me disser que acredita plenamente em TODA escritura e não somente partes dela como INSPIRADA POR DEUS ( 2 Timóteo 3:16) então poderemos prosseguir com nossa conversa, mas por enquanto, o Sr já deu fortes indícios de que não está nem aí para a opinião de Deus sobre cronologia. Entretanto, disse-me que até comprou livros antigos das TJ s para se certificar do que estava lendo no desejo de saber a verdade, isso é elogiável, mas, não tem tanto desejo assim quando alguem desconhecido de sua roda de amigos lhe mostra um fato importantíssimo de que desconhecia, e que é vital para sua fé. Saiba que aqueles a quem o Sr combate tão veemente na internet Podem não ser seus verdadeiros inimigos, entretanto , aqueles que chamam a Deus de MENTIROSO, estes sim , sutilmente tentam engana-lo.

 

Pesquise a fundo este assunto da cronologia de 607/587 e não se deixe levar por matérias já mastigadas, que dizem meias verdades, quando não mentem descaradamente.

 

Lembre-se: sobre este assunto, cronologia, quando não tiver certeza e estiver na dúvida: DEUS TERÁ SEMPRE RAZÃO E ESTARÁ SEMPRE CERTO. E espero que não lhe aconteça o que sucedeu com os gálatas.

 

"Gálatas: 4. 16. Tornei-me acaso vosso inimigo, porque vos disse a verdade? "

 

Atenciosamente,

 

 

Resposta 3:

 

Lucas,

 

Ao ler sua resposta, percebi que você ignorou completamente informações importantes que eu lhe trouxe à atenção no meu email, a exemplo do que a Bíblia realmente diz sobre os 70 anos e o prazo de cumprimento da promessa de Deus, após o término da hegemonia de Babilônia sobre as nações (não apenas sobre Judá). Além disso, está claro que você tem apenas um conhecimento superficial sobre o assunto, pois disse: "Pesquise a fundo este assunto da cronologia de 607/587 e não se deixe levar por matérias já mastigadas, que dizem meias verdades, quando não mentem descaradamente." Quem realmente conhece esse tema sabe que, na verdade, esta sua colocação se aplicaria muito mais à Torre de Vigia, quando escreve sobre "cronologia bíblica", no tocante à data 607. Por outro lado, os eruditos, na maioria das vezes, são bastante honestos em seu trabalho. Enquanto você não demolir essa muralha de preconceito que cerca sua mente, você jamais entenderá o assunto da maneira que deveria. Os cronologistas seculares não possuem qualquer crença peculiar que dependa da cronologia bíblica que defendem, mas a Torre de Vigia tem. Isto por si só já deveria ser suficiente para se ver com ressalvas o que ela escreve a respeito.

 

Aceitar o ano 587 a.C. como data correta para a destruição de Jerusalém não tem nada a ver com repudiar a Bíblia e louvar os especialistas em arqueologia! Pare de se apegar a esse tipo de pensamento, meu caro. Ele é típico do raciocínio circular e ingênuo que, às vezes, vemos nas publicações da Torre de Vigia, quando ela não tem realmente base sólida para explicar alguma problemática gerada pela sua escatologia particular. Ressalto que minha crença, respeito e amor pelas Escrituras Sagradas são inabaláveis. Mas Deus nos deu tanto a Bíblia quanto à faculdade de raciocínio. Ambas são divinas. Infelizmente, nem sempre conseguimos usar de maneira adequada os dois presentes. Felizmente, a humildade e a disposição de analisar completamente os dois lados de uma questão, em geral, são bons antídotos para esse problema. Mas você tem que reconhecer que uma TJ tradicional não tem como se beneficiar de tais antídotos. Primeiro porque as TJs acham que são os únicos cristãos verdadeiros da Terra e os demais são falsos, pertencentes a “Babilônia, a Grande”. Isto bloqueia o exercício da humildade. Segundo, porque a autoridade religiosa (Corpo Governante) impede que as TJs estudem livremente o que se escreve sobre elas. De modo que a TJ obediente a esse “papado coletivo” jamais estudará com afinco o que especialistas (inclusive ex-TJs) escrevem sobre o assunto. Ao que parece, você está desobedecendo tal ordem. Se for o caso, desafio você a contar para os anciãos de sua congregação sobre as pesquisas que vêm fazendo, e o que anda lendo...

 

Ah, sim! Antes que eu esqueça, não use como principal referência em seus estudos a Wikipédia, pois não é uma fonte muito confiável, pois qualquer um pode colocar a mão nela. De fato, para estudos realmente sérios é recomendável excluir completamente a Wikipédia das referências marginais. Ainda mais que nesse tema específico (cronologia da Torre de Vigia) TJs fervorosas costumam correr para a Wikipédia a fim de deixá-la conforme o ensino oficial da religião. Pode ser que até mesmo "betelitas"* façam isso.

 

[ * Funcionários da Torre de Vigia]

 

Uma das explicações possíveis para esclarecer a aparente contradição entre as fontes arqueológicas e a Bíblia sobre a duração do reinado de Peca, é que ele pode ter governado de maneira forçada antes de destronar o rei em Samaria, ocasionando uma sobreposição de reinados. Esse tipo de evento não era incomum naquele tempo. Aspirantes a reis não raro tentavam forçar a existência de seu reinado antes mesmo de eliminar o rei que estava governando. Às vezes dava certo, às vezes não. Quanto maior fosse o apoio popular e militar, maior seria a chance daquele que queria ser rei. E até obter o pleno sucesso, dois reinados estariam em curso.

 

Talvez saiba que dificuldades de conciliação cronológica podem acontecer não somente entre os relatos bíblicos e fontes externas. Os conflitos aparentes existem até mesmo internamente, na própria Bíblia. Ao contrário do que pregam os de visão mais fundamentalista, aceitar esse fato de forma alguma desabona a Bíblia qual livro sagrado. Há uma complexidade natural nos textos canônicos, especialmente nessa questão de datações, devido ao longo tempo que se passou desde sua escrita original, o que faz especialistas de várias áreas ficarem bastante ocupados em seus objetos de estudo: linguístas, tradutores, cronologistas, historiadores etc. Por exemplo, comentando sobre a sincronização entre os reinados de Israel e Judá, uma nota ao pé de página de 2 Reis 14:1-2, na New American Bible (NAB) diz: “Da maneira que estão, os dados cronológicos nas introduções aos reinados dos reis de Judá e Israel são incompatíveis entre si. Os reis de Judá entre Atalia e Acaz recebem também muitos anos para corresponder aos reinados em Israel desde Jeú até a queda de Samaria. Várias teorias foram propostas a fim de explicar a discrepância, tais como co-regências ou corrupção textual no processo de transmissão.”

 

Sobre o problema gerado por se atribuir a Peca um reinado de 20 anos, os editores da NAB disseram: “Os vinte anos atribuídos aqui a Peca são difíceis de conciliar com outros informes cronológicos sobre os reis. Uma teoria seria que Peca e Menaém foram reis rivais sobre um território israelita dividido; isto poderia explicar a preocupação de Menaém pelo apoio assírio (vv. 19-20) e o ataque da Assíria a Peca (v. 29).” E, ao comentarem 2 Reis 15: 30, afirmaram: “Os vinte anos aqui atribuídos a Jotão deve incluir sua co-regência com Azarias (v.5); caso contrário será impossível conciliá-los com o versículo 33, que atribui a ele somente dezesseis anos [de reinado]. O versículo parece contradizer o 16:1, que tem o filho de Jotão e o sucessor Acaz ascendendo ao trono enquanto Peca ainda reinava em Israel, e o 17:1 que data a ascensão de Oséias ao trono no vigésimo ano de Acaz”.

 

Como se vê, as narrativas cronológicas do livro dos Reis nem sempre são facilmente entendidas de imediato. Para sanar essas aparentes contradições internas, é preciso raciocinar em busca de possibilidades que venham a dirimir os problemas. Isto é absolutamente aceitável, até porque tende a reforçar o caráter de seriedade textual da Bíblia. As tentativas de conciliação cronológica entre o registro bíblico e fontes arqueológicas também são legítimas, e só mesmo preconceitos dogmáticos induziriam a pensar o contrário. Perseguir essa harmonização não desqualifica o pesquisador, seja ele cristão ou não, ainda mais considerando a quantidade de informações à disposição, especialmente as que se referem ao período neobabilônico.


Não estou com tempo para escrever uma consideração mais detalhada sobre esse ponto. Suspendi a escrita de artigos por conta de outras atividades. Além de buscar alternativas de entendimento, seria interessante demonstrar qual seria o reflexo no período neobabilônico ao considerar de maneira isolada o texto 2 Reis 15:27, e se isto teria alguma serventia para o ano 607. Se eu voltar a escrever sobre esses temas, pode estar certo que considerarei a possibilidade de começar escrevendo sobre essa questão. Se eu fizer isso, avisarei a você. Mas tomara que até lá você mesmo venha a se convencer que tal versículo realmente não é um problema intransponível, à medida que for melhorando sua expertise sobre a matéria. Até lá vá refletindo no que eu comentei aqui. Lembre-se da ilustração da balança!

 

Na verdade, com respeito a supostos conflitos entre a cronologia secular e a “cronologia bíblica”, existem outros casos que poderiam ser citados. Eu até já escrevi sobre uma dessas dificuldades. Veja no link abaixo:

 

CONCILIANDO DIFERENTES SISTEMAS DE CONTAGEM EM REINADOS ANTIGOS

 

Recomendo a leitura dessa consideração, a fim de que as coisas comecem a clarear um pouco na sua mente.

 

É isso. Reitero a você meus votos para um bom ano!

 

 

Email 4 recebido:

 

Adelmo,


Seguem abaixo minhas considerações finais:


O ENSINO DE DEUS NÃO É SÓ CRONOLOGIA


Para aqueles que buscam os verdadeiros cristãos e a verdadeira religião:


COMO IDENTIFICÁ-LA:


1- Jesus disse: Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. João: 15. 14
2- Ele mandou fazermos o que?


João: 13. 34: Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros.


João: 13. 35: Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.


Os verdadeiros adoradores serão reconhecidos por demonstrarem amor entre si. Mas, e quanto aqueles que querem ganhar o favor de Deus e querem ser preservados vivos quando Cristo vier para separar as ovelhas dos cabritos? Mat. 25:32. O que deveriam estar FAZENDO, para quando da separação de pessoas, sejam considerados como MERECEDORES de ganhar a vida eterna?


Note com muita atenção MATEUS 25: 37-40: "Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? 38. Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? 39. Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? 40. E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes."


Perceba que, é imperial AJUDAR os IRMÃOS de Cristo e estar associado a eles para que Jesus veja agora (e não depois) que pessoas justas estão ajudando seus IRMÃOS . Segue que, há agora mesmo os que são os irmãos de Cristo e há agora mesmo os que são aquele que ajudam os irmãos de Cristo.


Faço-lhe agora as seguintes perguntas escrutinadoras: Você que está lendo considera-se um IRMÃO DE CRISTO ou um JUSTO (ovelha) QUE AJUDA os irmãos de Cristo. Se você se considera um dos irmãos de Cristo sabe identificar quem são os justos que o ajudam agora, antes de Cristo vir para fazer a separação das ovelhas dos cabritos? Se você se considera um dos justos que deseja ganhar a vida eterna e que ajuda os irmãos de Cristo, sabe identificar na pratica quem são os IRMÃOS de Cristo?

A profecia em Mateus 25:31-46 (leia por favor) mostra que quando Jesus vier, encontrará os IRMÃOS dele intimamente ASSOCIADOS (no plural) com os JUSTOS ( no plural) . Notamos então que há duas classes de pessoas intimamente associadas para um objetivo comum que é fazer o que Jesus manda (João 15:14).


Percebe agora como o texto abaixo se aplica aos IRMÃOS de Cristo?:

Lucas: 12. 32. Não temas, ó pequeno rebanho! porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. - Bíblia JFA

E percebe agora por que o texto abaixo se aplica aos justos?:

João 10: 16. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor


Então? o que vai ser? Você é um irmão de Cristo? Ou você é uma ovelha que ajuda os irmãos de Cristo? Os dois você não pode ser.

Se está entendendo o que quero dizer, compreende que o ensino de muitas religiões professamente cristãs é falho, pois, neste tempo do fim os justos e os irmãos de Cristo caminham lado a lado até cada um receber a sua própria recompensa , quer vida eterna na terra (Salmo 37:29) quer vida eterna no céu ( Hebreus 3:1)

Ou seja, a vida não é só ir nos cultos aguardando o arrebatamento sem estar ativo em apoiar os IRMÃOS de Cristo. Uma das bases para o julgamento favorável ou desfavorável é : está ajudando e apoiando os irmãos de Cristo ou não?

Deseja saber mais quem são os IRMÃOS de Cristo e como apoia-los? (pois, nem sempre estarão na cadeia, ou hospital,) Deseja saber onde pode se associar a eles? Deseja apoia-los na atividade mais importante e salvadora de vidas que Jesus MANDOU (João 15:14) fazer, conforme Marcos 13:10 e Mateus 24:14 que é pregar o Reino de Deus como única solução para a humanidade obediente? Ou deseja ser como os CABRITOS que nem se importam agora em apoiar os irmãos de Cristo na pregação do Reino de Deus , e ainda "lutam" contra eles e as ovelhas (justos) que se esforçam em apoia-los?

Mateus: 25. 44. “Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? 45. Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim. 46. E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”. - Bíblia JFA

Quando estiver inclinado em descartar o ensino das testemunhas de Jeová , pense nisso, pois quem sabe não estará se opondo ou desprezando a atividade das ovelhas em apoiar os irmãos de Cristo enquanto estão neste mundo.

A menos que tenham certeza de que os irmãos de Cristo podem ser achados em outra organização (e não espalhados pelas várias igrejas) e que estejam pregando organizadamente o Reino em todas as nações conforme predisse Jesus em Mateus 24:14 e exemplificado por ele próprio como diz Lucas 8:1

 

Se desejarem saber mais, escrevam para: imaia@ig.com.br

 

[ Traduzindo o que o leitor disse...

Na concepção das TJs, os “irmãos de Cristo” são as TJs que esperam ir para o céu depois da morte, chamadas de "ungidos". Estes são representados pelos membros do Corpo Governante das TJs, sediado em Nova York, historicamente composto de 10 a 20 pessoas. Os “justos” são as demais TJs cuja esperança de vida eterna é aqui mesmo na Terra. Quando chegar o tempo de acontecer o que está previsto no texto bíblico abaixo, Deus certamente decidirá o que fazer com elas:

“E: ‘Tu, ó Senhor, lançaste no princípio os alicerces da própria terra, e os céus são obras das tuas mãos. Eles é que perecerão, mas tu é que hás de permanecer continuamente; e todos eles envelhecerão qual roupa exterior, e tu os enrolarás assim como a uma capa, como a uma roupa exterior; e eles serão mudados, mas tu és o mesmo, e os teus anos nunca se acabarão’.” – Hebreus 1:10-12.

Mas as TJs poderão viver tranquilas na Terra até lá, pois, segundo os astrofísicos, o sol ainda tem combustível para durar uns 7 bilhões de anos. Depois disso elas poderão, quem sabe, se mudar para outro planeta. No entanto, quando o restante do universo (“céus”) entrar em colapso, e seus anos se acabarem, devido à influência gravitacional da matéria escura, elas terão realmente com o que se preocupar. Somente as TJs que estiverem no céu de Deus estarão seguras, pois serão espíritos indestrutíveis. Os cientistas dizem até que poderá haver um movimento oposto ao do Big Bang (caso a matéria escura não exista), e o universo, ao invés de se expandir, passará a se contrair, voltando ao estado original: uma singularidade. (Consulte este link para mais detalhes). Depois o universo poderá se expandir novamente, recomeçando todo o processo. Essa teoria até lembra mesmo o texto acima de Hebreus. Deus “enrolará” o universo feito uma capa que não é mais necessária, mas depois poderá usá-la novamente, na recriação. Talvez as palavras abaixo de Jesus se refiram a tais eventos assombrosos, que são teorizados hoje na Física moderna:

“Imediatamente depois da tribulação daqueles dias, o sol ficará escurecido, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e os poderes dos céus serão abalados.” – Mateus 24:29.

Por fim, na opinião das TJs, os “cabritos” são o restante da humanidade que não quer saber da mensagem das “Testemunhas de Jeová”. Ou seja, bilhões de católicos, protestantes, muçulmanos, espíritas, ateus e outros.

Portanto, as boas notícias das TJs à humanidade (“boas novas”) não são tão boas assim...]


Resposta 4:

 

Lucas,

Neste ponto você não está tão longe da verdade: realmente o Cristianismo não é só cronologia. Mas é preciso ir mais além. O verdadeiro Cristianismo, na verdade, não necessita de absolutamente nada relacionado à cronologia que você se apega. O que é natural, uma vez que Jesus disse que os cristãos não deveriam estar preocupados com datas relacionadas ao início do Reino de Deus sobre a Terra:

“Tendo-se eles então reunido, perguntavam-lhe: 'Senhor, é neste tempo que restabeleces o reino a Israel?' Disse-lhes ele: 'Não vos cabe obter conhecimento dos tempos ou das épocas que o Pai tem colocado sob a sua própria jurisdição'.” – Atos 1:6, 7.

A história das “Testemunhas de Jeová”, desde o tempo que Charles Russell aprendeu com os adventistas esse negócio de querer calcular datas para o “fim do mundo”, demonstra que elas não vivem segundo as palavras acima. Por estarem supostamente no “tempo do fim”, acham que são melhores que os cristãos que ouviram esse aviso de Jesus. Faça um esforço para ler depois o livro “Sinal dos Últimos Dias – Quando?”, escrito por Carl Olof Jonnson e Wolfgang Herbst. Talvez este livro seja o mais indicado para demonstrar o quanto as TJs estão enganadas com respeito aos tempos e as épocas. Dúvida disso? Então faça a leitura do livro. Depois me diga.

A teologia da Torre de Vigia obscurece tanto a leitura da Bíblia que as TJs não conseguem enxergar nem o sentido óbvio dos textos que você mencionou, sobre os “irmãos de Cristo”, o “pequeno rebanho”, as “outras ovelhas” etc. Estes são temas tão “batidos” e refutados na Internet que até me surpreende você achar que algum leitor irá dar crédito ao entendimento da Torre de Vigia sobre esses assuntos depois que ler TUDO o que está posto aqui.

Os primeiros cristãos eram todos judeus ou prosélitos do judaísmo. Jesus pregou somente no território judeu. No entanto, ele sabia que depois de sua partida o Espírito Santo iria impelir aquele pequeno número de seguidores a espalhar o Evangelho por todo o mundo. Havia outras ovelhas que não faziam parte do aprisco judaico que se juntariam a eles, para também se tornarem irmãos de Cristo. O que realmente aconteceu nas décadas seguintes.

 

E com respeito à época do fim, você acha que haveria pessoas justas apenas entre os cristãos? Dificilmente. Mesmo hoje, basta você prestar atenção ao seu redor. Talvez você até conheça alguém que é muito mais justo que as TJs em geral. E falando nisso, dizer que os justos que demonstram entre si o amor ensinado por Jesus são encontrados apenas entre as TJs é uma verdadeira aberração! Bem no íntimo eu sei que você sabe que isto não é verdade. Embora realmente haja pessoas amorosas entre as TJs (e em qualquer outra religião), pelo que observei a maioria delas está muito longe desse ideal. Algumas são até muito deficientes nesse quesito (inclusive anciãos). Estão mais preocupadas em se exibir e reproduzir nas congregações o modelo estabelecido pelo “Corpo Governante”. Mas isso não importa, não é mesmo? Conforme já foi dito muitas vezes do púlpito nos Salões do Reino: “A pior Testemunha de Jeová é melhor que o melhor mundano”. (Vocês ainda usam esse termo pejorativo para se referir a não TJs? – “mundano”). E certos comportamentos padronizados que vemos na religião TJ, a exemplo de não participar do serviço militar, não resulta da aplicação do amor de Cristo, mas da obediência à autoridade central em Brooklin.

 

Sempre houve pessoas não associadas ao povo de Deus (israelitas e depois os cristãos) que eram justas. Jó é um exemplo. Ele não era judeu, mas sim um homem importante do Oriente. Por que hoje ou em qualquer outra época seria diferente? Portanto, os irmãos de Cristo podem certamente se deparar com tais justos no seu cotidiano, e serem auxiliados por eles. No início, os dirigentes da Torre de Vigia acreditavam exatamente dessa maneira (na época em que todos os seus seguidores tinham "esperança celestial"). Até que veio J. F. Rutherford e mudou esse entendimento mais plausível, submetendo os supracitados versículos às especulações que surgiram a partir de 1918. Você sabia disso?

 

Mas é importante perceber que mesmo sendo um ponto de vista melhor (o que foi abandonado pela Torre de Vigia), ele também extrapola um pouco o que Jesus falou. Ao que tudo indica, ele estava mesmo se referindo a cristãos desvalidos que necessitariam da ajuda dos mais favorecidos. Creio que entender assim é algo mais próximo do que Jesus demonstrou pelo exemplo, quando dava assistência a maltrapilhos e desdentados do seu tempo. Ironicamente, os religiosos que mais se empenham nesse tipo de trabalho hoje em dia, os cristãos kardecistas, já estão condenados por Deus, de acordo com os cristãos tradicionais. Certos segmentos do Catolicismo também fazem muita caridade, a exemplo de algumas ordens religiosas que mantêm hospitais e abrigos para os necessitados. Atividades dessa natureza não fazem parte das diretrizes que as TJs seguem.


Aproveitando que você resolveu ampliar a conversa para além da “cronologia bíblica” da Torre de Vigia, vejamos como tal cronologia se conecta com outros assuntos que são defendidos apenas pelas TJs. O trecho abaixo, citado por você no penúltimo email, ilustra bem a palavra de ordem da Torre de Vigia referente à sua "cronologia bíblica", indicando que a liderança TJ não abrirá mão tão cedo do ponto de vista que seus seguidores defendem ao redor do mundo:


“Não importa quanta evidência tenha sido recolhida por historiadores seculares, nunca iremos comprometer, reinterpretar, ou corrigir e fazer a Bíblia concordar com a história secular, como muitos têm feito sem constrangimento."


Ao ler tais palavras, tem-se a impressão de que as TJs são defensores intransigentes da Bíblia, de maneira única. Será isto verdade?

Primeiramente, o que essas pessoas não percebem é que a "bandeira" que empunham produz um efeito contrário do pretendido, pois não seguem o princípio indicado no texto a seguir:

“Seja a vossa razoabilidade conhecida de todos os homens.” – Filipenses 4:4.

A falta de razoabilidade das “Testemunhas de Jeová” no que foi aqui conversado se torna patente por vários motivos, dentre os quais:

1) Ao se apegarem à data 607 desconsideram as várias contradições que isto gera dentro da própria Bíblia, a exemplo do cumprimento dois anos mais cedo da profecia de Jeremias 29:10. Normalmente, as TJs nem tocam nesse assunto. Preferem ignorá-lo, por acharem que 607 está de acordo com certos versículos da Bíblia, quando, na verdade, eles são apenas mal entendidos por elas, em parte devido à tradução errada de Jeremias 29:10 na Tradução do Novo Mundo (Bíblia oficial das “Testemunhas de Jeová”).

2) Embora digam se apegar somente à Bíblia, tomam emprestadas algumas datas dos especialistas que criticam para terem um ponto de partida para a “cronologia bíblica” que defendem. Isto é necessário porque somente pela leitura da Bíblia é impossível saber em que datas do nosso calendário os eventos bíblicos aconteceram. Por isso, estritamente falando, não existe a “cronologia bíblica” defendida pela Torre de Vigia. A cronologia da Bíblia é relativa, e sem as fontes arqueológicas não há como sincronizá-la com nosso calendário.

3) Para dar um ar de seriedade ao suposto fundamento de sua “cronologia bíblica”, a Torre de Vigia busca nas palavras publicadas por especialistas apoio à data 607, embora nenhum deles acredite nela. Para conseguir este feito não há outro caminho senão distorcer o que tais escritores dizem, citando-os quase sempre fora de contexto. Devido a essa estratégia recorrente da Torre de Vigia, às vezes esses estudiosos reclamam da maneira que são citados pelos escritores da religião TJ.

4) Por ser uma religião legalista, a Torre de Vigia impõe aos seus comandados dezenas de proibições que simplesmente não podem ser encontradas na Bíblia. Por exemplo, as TJs não podem usar barba (exceto em países nórdicos, conforme dizem alguns), não podem fumar e não podem participar de aniversários de nascimento. Os motivos de tais "leis" são completamente alheios às Escrituras Sagradas, embora “forçando a barra” um pouquinho encontra-se apoio bíblico contra o hábito de fumar (que realmente é prejudicial). No caso de aniversários, a justificativa é tão somente porque fontes históricas sugerem que os primeiros cristãos não tinham esse costume. Então, a Torre de Vigia acha que as TJs devem fazer o mesmo. Seria uma maneira de ajudar a "restaurar" o Cristianismo primitivo. Já no caso da barba, a proibição surgiu simplesmente devido a um capricho do segundo presidente da Torre de Vigia, J. F. Rutherford. Embora faça parte de sua história, quase nenhuma TJ sabe disto.

5) Por fim, dizer que a Torre de Vigia jamais faz acréscimos ou alterações na Bíblia em favor de evidências externas é uma afirmação muito distante da realidade. Confira a seguir.

“Correções” feitas na Bíblia pela Torre de Vigia

A maioria dos cristãos ao ler o Novo Testamento não vai encontrar o nome “Jeová”, pois ele não aparece nos manuscritos antigos atualmente disponíveis. No entanto, se a leitura for feita na Tradução do Novo Mundo, a Bíblia publicada pela Torre de Vigia, ao invés de “Senhor”, o leitor verá o nome “Jeová” em 237 versículos. O motivo disto é que os tradutores da referida edição se convenceram que há fortes evidências bíblicas e históricas que justificam essa mudança. Acham que os escritores do Novo Testamento usaram originalmente o nome “Jeová” nos seus relatos, porém os copistas católicos dos séculos seguintes o trocaram por “Senhor”, para que os textos canônicos seguissem o costume judaico de não usar o Nome (costume que já era adotado no primeiro século e nunca recebeu críticas dos cristãos). Até citam descobertas arqueológicas em favor dessa teoria. As explicações sobre esse “restabelecimento” do nome divino no Novo Testamento estão no Apêndice 1D da Tradução do Novo Mundo com Referências, de 1986.

 

[Há um versículo do Novo Testamento onde caberia esse "restabelecimento". É o texto de Hebreus 1:10. Porém, os tradutores da Torre de Vigia não o fizeram. Saiba o motivo no penúltimo comentário que fiz, no final desta página.]

E o procedimento descrito acima não se limita ao Novo Testamento. Com base na obra “A Massorá”, do erudito C. D. Ginsburg, a Torre de Vigia incluiu o nome “Jeová” em 141 lugares no Antigo Testamento, alegando que era assim que devia estar originalmente, porém os soferins (copistas judaicos) teriam trocado o Nome por “Senhor”, “Deus” ou alguma outra palavra.

Além disso, muitas opções de tradução vistas na Tradução do Novo Mundo (TNM) são apenas paráfrases, pois traduzir o texto literalmente, da maneira como está no original, ou conforme preconizam os melhores critérios de tradução, entraria em conflito com opiniões teológicas dos líderes das “Testemunhas de Jeová” (o que pode ser também encarado como uma influência externa, neste caso, opiniões preconcebidas). Às vezes, até obras teológicas são citadas para justificar tais escolhas, como é o caso do uso da expressão “estaca de tortura” ao invés de “cruz” (veja o apêndice 5C da TNM com referências). Note outros exemplos na consideração indicada no link abaixo:

OS CRISTÃOS QUE NÃO ACREDITAM NA VIDA APÓS A MORTE

Portanto, percebe-se que, afinal, corrigir a Bíblia com base em fontes extrabíblicas não é um tema assim tão delicado para a Torre de Vigia, ao menos nos assuntos que interessam a ela. Já nos demais, quem fizer algo semelhante “não tem compromisso com a verdade de Deus”...

Os líderes da Torre de Vigia já tomaram conhecimento da quantidade enorme de evidências (inclusive bíblicas) contra a data 607. Mas o orgulho e a teimosia impedem um reconhecimento franco deste fato. Como já foi mencionado, o que motiva tal atitude é que a "cronologia bíblica" que reivindicam desempenha papel importante no sistema de autoridade que inventaram e atribuíram a Jesus. Sem a data 607 seria difícil manter as explicações que deram sobre sua escatologia peculiar, e a maioria delas teria que ser abandonada. O que seria ótimo, especialmente para as "Testemunhas de Jeová", pois passariam a viver numa liberdade mais próxima daquela ensinada no Novo Testamento, que aboliu o sistema legalista da religião judaica.


Conforme eu falei anteriormente, a data 607 não tem nenhuma importância para um cristão verdadeiro, pois nem na Bíblia ela está. Ela é importante apenas para o "papado coletivo" que as TJs chamam de "Corpo Governante". Por isso, elas fariam bem em considerar o assunto com base no princípio contido nos textos abaixo:

 

“Agora, irmãos, estas coisas passei a aplicar a mim mesmo e a Apolo, para o vosso bem, para que, em nosso caso, aprendais a regra: ‘Não vades além das coisas que estão escritas’, a fim de que não fiqueis individualmente enfunados a favor de um contra o outro.” – 1 Coríntios 4:6.

“Os irmãos enviaram imediatamente tanto Paulo como Silas, de noite, para Beréia, e estes, ao chegarem, entraram na sinagoga dos judeus. Ora, estes últimos eram de mentalidade mais nobre do que os de Tessalônica, pois recebiam a palavra com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim.” – Atos 17:10, 11.

Infelizmente, para as TJs o “está escrito” mencionado em Coríntios se refere não somente à Bíblia, mas também a todas as publicações atuais da Torre de Vigia. Por exemplo, certa vez perguntei a um ancião TJ o motivo de determinado procedimento referente a desassociados (excomungados). Ele disse que devia ser daquela maneira “porque está escrito”. Pedi que me mostrasse onde, e ele trouxe uma edição do Ministério do Reino, um periódico mensal disponível apenas às TJs, onde havia uma instrução específica do escritório da Torre de Vigia. Questionei* se não era melhor seguir apenas o que a Bíblia diz, e ele retrucou dizendo que a Bíblia não explica todos os detalhes de uma proibição, e o “escravo fiel e discreto” (Corpo Governante) tem a autoridade necessária para suprir o que falta.

[ * “Questionar”. Esta palavra soa como anátema no ambiente congregacional das TJs, tamanha a força do doutrinamento autoritário que recebem. Quer ser mal visto entre elas? Basta ganhar fama de “irmão questionador”, mesmo que você ame a Palavra de Deus e tenha uma conduta irrepreensível.]

Baseando-se no que foi relatado até aqui, o que acha? As “Testemunhas de Jeová” realmente se apegam somente à Bíblia?

 

Um abraço!

 

 

Último email recebido:

 

Olá,


Deseja realmente ensinar as escrituras sagradas se compreender erroneamente ela? Por favor, não se ofenda, é apenas uma pergunta corretiva e não ofensiva, o motivo leia abaixo.


Marcos: 12. 24. Respondeu-lhes Jesus: Porventura não errais vós em razão de não compreenderdes as Escrituras nem o poder de Deus? - Bíblia JFA


DURAÇÃO DE EXISTÊNCIA DO UNIVERSO:


1- Eclesiastes: 3. 14. "Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; ..."

 

2- Gênesis: 2. 4. Eis as origens dos céus e da terra, quando foram criados. No dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus - Bíblia JFA


DURAÇÃO DE EXISTENCIA DA TERRA:


1- Eclesiastes: 1. 4. Uma geração vai-se, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre. - Bíblia JFA

 

2- Salmos: 104. 5. Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não fosse abalada em tempo algum. - Bíblia JFA


O OBJETIVO PARA O QUAL A TERRA FOI CRIADA:


Isaías: 45. 18. Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu, não a criando para ser um caos, mas para ser habitada.


SER HABITADA POR ESTE TIPO DE PESSOAS:


1- Salmos: 37. 29. Os justos herdarão a terra e nela habitarão para sempre. - Bíblia JFA


2- Mateus: 5. 5. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. - Bíblia JFA

 

Devido aos seus comentarios intermediarios postados em seu site resolvi lhe mandar mais este e-mail, pois voce está pendendo em acreditar nas teorias de cientistas e duvidar dos propósitos de Deus para com o universo, a Terra e o futuro lar da humanidade obediente.
Se voce acredita que o universo NÃO DURARÁ PARA SEMPRE, bem como a terra (planeta), então estará dizendo sem o saber que Cristo também não durará para sempre. Por que digo isso? Porque o Salmo 72 profetiza sobre o reinado de Cristo e diz:

 

Salmos: 72. 5. "Viva ele enquanto existir o sol, e enquanto durar a lua, por todas as gerações". - Bíblia JFA

 

Compreende por que, talvez sem o saber, condenas Cristo a perder a Imortalidade.


1 Timóteo: 6.16." aquele que possui, ele só, a imortalidade, e habita em luz inacessível;"

 

SEUS COMENTARIOS EQUIVOCADOS SOBRE HEBREUS 1:10,11 CAUSAM ESTE ENTENDIMENTO ERRÔNEO

 

 

Resposta final enviada (e logo após um exame detalhado do email acima):

 

“Ele fundou a terra sobre os seus lugares estabelecidos; não será abalada, por tempo indefinido ou para todo o sempre.” – Salmo 104:5, Tradução do Novo Mundo.


Afinal, a Terra durará para sempre ou por tempo indefinido?

 

De que fonte você sabe que o trecho abaixo em negrito não pode ser entendido literalmente?

 

“Imediatamente depois da tribulação daqueles dias, o sol ficará escurecido, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e os poderes dos céus serão abalados.” – Mateus 24:29.


Da ciência, não é mesmo? Uma estrela é muito maior que a Terra, na mesma proporção que uma pedra grande é maior que um grão de areia. Portanto, estrelas não podem cair na Terra...

Temos aqui outro caso de conciliação, desta feita entre a Bíblia e o Livro da Natureza. A mesma ciência que nos esclarece que estrelas não podem cair na Terra nos informa também que tudo no universo material tem um fim, num ciclo indefinido de vida e morte. Embora não saibamos com precisão quanto tempo o Sol vai durar, ele também morrerá um dia. Assim regem as leis da Física criadas por Deus, o Deus de ordem que não irá burlá-las para satisfazer anseios humanos. Tudo seguirá de acordo com o planejado. Naturalmente, isto inclui também a vida eterna dos justos na Nova Terra. (2 Pedro 3:12, 13). Mas como acontecerá? Deixemos a Bíblia mesmo responder:

Disse Jó: “E depois que o meu corpo estiver destruído e sem carne, verei a Deus. Eu o verei com os meus próprios olhos; eu mesmo, e não outro!” – Jó 19:26, 27

Disse Jesus: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.” – Mateus 5:8.

E complementou: “Mas, eu vos digo que muitos virão das regiões orientais e das regiões ocidentais e se recostarão à mesa junto com Abraão, Isaque e Jacó, no reino dos céus”. – Mateus 8:11.

 

Disse Paulo: “Pois a trombeta soará, e os mortos serão levantados incorruptíveis, e nós seremos mudados.... isto que é mortal tem de revestir-se de imortalidade." – 1 Coríntios 15: 52, 53.

 

E complementou: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontável hostes de anjos, e à universal assembleia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados”. – Hebreus 12:22-24, Almeida.

“Àquele que vencer concederei comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus”. – Apocalipse 2:7.

O "paraíso de Deus" mencionado acima é o céu espiritual, conforme a própria Torre de Vigia admite:

“Este não pode ser o Paraíso restabelecido na Terra.... o que se diz aqui deve referir-se ao domínio celestial, semelhante a um jardim, herdado por esses vencedores.” – Livro "Clímax de Revelação", p. 37, par. 14.

É nesse paraíso que Abraão e outros justos esperavam viver:

“Mas agora [Abraão, Isaque, Jacó e outros] desejam* uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade.” – Hebreus 11:16, Almeida.

* Note que Paulo usou o verbo no presente ("desejam"). Isto não foi por acaso.

 

“A nossa pátria está nos céus.” – Filipenses 3:20, Bíblia TEB.

[Gostaria de relembrar o que esse leitor disse lá no início. Ele falou que quando a Bíblia afirma categoricamente uma coisa, a conversa está encerrada, sem margem para discussões. Pois bem. Por seguir o ensinamento da Torre de Vigia, esse mesmíssimo leitor acredita que Jó, Abraão e todos os demais patriarcas jamais irão para o céu. O que é isso? Dois pesos e duas medidas? Se a Bíblia diz que pessoas justas que viveram antes do primeiro século irão para o céu, elas irão. É isto o que esse leitor deveria achar, em harmonia com o que defendeu antes.]

 

Coloque a mão na sua consciência e responda (a Deus, não a mim): Ao ler os textos bíblicos acima você não sente, nem que seja só um pouquinho, o quanto o entendimento da Torre de Vigia é diferente do que a Bíblia realmente diz?

Se a recompensa oferecida aos cristãos fosse mesmo viver por tempo indeterminado no planeta onde estamos agora, já seria bem mais do que merecemos. Viveríamos felizes por alguns bilhões de anos, o que seria praticamente uma eternidade, não acha? Afinal, não chegamos nem aos duzentos, quais seres humanos. E se chegássemos acho que não seria em bom estado. No entanto, o que Deus nos oferece, de acordo com o Novo Testamento, transcende em muito essa perspectiva. O que deve nos encher de gratidão.

Eu até poderia entrar em mais detalhes, para explicar melhor o que eu escrevi acima, porém não farei isso. Você já é bem crescidinho para compreender sozinho o que a Bíblia realmente ensina sobre esse assunto.

Repito o incentivo dado em outro email:

Leia o livro de Romanos!

Ele também foi escrito para você. Não negue a si mesmo o privilégio de ser esclarecido pela Bíblia. Não permita que os dogmas de uma religião usurpem de você esse direito!

 

Atenciosamente,

 

Adelmo Medeiros

 

 

COMENTÁRIO PORMENORIZADO DOS TEXTOS BÍBLICOS CITADOS NO ÚLTIMO EMAIL DO LEITOR:

 

Olá,


Deseja realmente ensinar as escrituras sagradas se compreender erroneamente ela? Por favor, não se ofenda, é apenas uma pergunta corretiva e não ofensiva, o motivo leia abaixo.


Marcos: 12. 24. Respondeu-lhes Jesus: Porventura não errais vós em razão de não compreenderdes as Escrituras nem o poder de Deus? - Bíblia JFA

 

[Está aí um bom texto sobre o qual o Lucas deveria refletir!]


DURAÇÃO DE EXISTÊNCIA DO UNIVERSO:


1- Eclesiastes: 3. 14. "Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; ..."

 

[Conforme sabemos, nem as estrelas duram para sempre. Elas chegam ao fim, ainda que demore bilhões de anos. Podem explodir (supernovas), virar anãs brancas ou ter algum outro destino. Portanto, o versículo acima deve ser entendido de outra maneira. Interessante que a Bíblia das TJs traduz melhor esse trecho, dando margem para um entendimento mais adequado:

 

“Vim saber que tudo o que o verdadeiro Deus faz mostrará ser por tempo indefinido.” – Eclesiastes 3:14, Tradução do Novo Mundo.

 

E como se não bastasse, a principal Enciclopédia das TJs fornece o devido esclarecimento sobre a terminologia "tempo indefinido", conforme aparece no hebraico original:

 

“A palavra hebraica ohlám transmite a idéia de tempo indefinido ou incerto. O lexicógrafo Gesenius atribui-lhe o significado de 'tempo oculto, i.e., obscuro e longo, cujo princípio ou fim é incerto ou indefinido'. (A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament, traduzido para o inglês por E. Robinson, 1836, p. 746) Concordemente, expressões como 'tempo indefinido' (Sal 25:6), 'de duração indefinida' (Hab 3:6), 'da antiguidade' (Gên 6:4), 'há muito tempo' (Jos 24:2; Pr 22:28; 23:10) e 'de longa duração' (Ec 12:5) transmitem apropriadamente a idéia do termo da língua original.” – Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 3, página 687.

 

De modo que o versículo em apreço poderia ser traduzido corretamente da seguinte maneira:

 

“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará por muito tempo.”

 

Os cientistas dizem que uma estrela dura aproximadamente 14 bilhões de anos. Certamente, um tempo muitíssimo longo! (ohlám, em hebraico).

 

Portanto, o meu interlocutor entende esse assunto erroneamente porque quer. Ou então porque ainda não se apercebeu da falta de base da sua opinião. Tomara que seja este último motivo, para não se caracterizar um ato deliberado de desonestidade intelectual.]

 

2- Gênesis: 2. 4. Eis as origens dos céus e da terra, quando foram criados. No dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus - Bíblia JFA


DURAÇÃO DE EXISTENCIA DA TERRA:


1- Eclesiastes: 1. 4. Uma geração vai-se, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre. - Bíblia JFA

 

[Novamente, o leitor prefere não usar a Tradução do Novo Mundo, que diz: “Uma geração vai e outra geração vem; mas a terra permanece por tempo indefinido (ou seja, por muito tempo).” – Parentêsis acrescentados.]


2- Salmos: 104. 5. Lançaste os fundamentos da terra, para que ela não fosse abalada em tempo algum. - Bíblia JFA

 

[Ou "por tempo indefinido", de acordo com a Tradução do Novo Mundo.]


O OBJETIVO PARA O QUAL A TERRA FOI CRIADA:


Isaías: 45. 18. Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu, não a criando para ser um caos, mas para ser habitada.

 

[Apesar do homem estar dificultando um pouco as coisas, acho que o objetivo está sendo bem cumprido, não acha?]


SER HABITADA POR ESTE TIPO DE PESSOAS:


1- Salmos: 37. 29. Os justos herdarão a terra e nela habitarão para sempre. - Bíblia JFA

 

[A Bíblia também diz que os justos irão para o céu: “Alegrai-vos e pulai de alegria, porque a vossa recompensa é grande nos céus.” – Mateus 5:12]


2- Mateus: 5. 5. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra. - Bíblia JFA

 

[Esta pode ser a "nova terra" mencionada em Apocalipse 21:1-4 e em 2 Pedro 3:10-12, que diz:

 

“Naquele dia os céus vão desaparecer com um barulho espantoso, e tudo o que há no Universo será queimado. A terra e tudo o que existe nela vão sumir. Sabendo que tudo isso vai ser destruído assim, então que tipo de gente vocês precisam ser?.... Naquele dia os céus serão destruídos com fogo, e tudo o que há no Universo ficará derretido. Porém Deus prometeu, e nós estamos esperando um novo céu e uma nova terra, onde tudo será feito de acordo com a vontade dele.” – Bíblia na Linguagem de Hoje.

 

Conforme pode ser visto, o texto acima apresenta aquele mesmo cenário descrito em Hebreus 1:10-12 e Mateus 24:29, os quais parecem descrever o fim do universo físico, conforme teorizado pelos físicos contemporâneos.]


Devido aos seus comentarios intermediarios postados em seu site resolvi lhe mandar mais este e-mail, pois voce está pendendo em acreditar nas teorias de cientistas e duvidar dos propósitos de Deus para com o universo, a Terra e o futuro lar da humanidade obediente.
Se voce acredita que o universo NÃO DURARÁ PARA SEMPRE, bem como a terra (planeta), então estará dizendo sem o saber que Cristo também não durará para sempre. Por que digo isso? Porque o Salmo 72 profetiza sobre o reinado de Cristo e diz:

 

Salmos: 72. 5. "Viva ele enquanto existir o sol, e enquanto durar a lua, por todas as gerações". - Bíblia João Ferreira de Almeida

 

[Primeiramente, faz-se necessária uma observação. A tradução da Bíblia usada pelo leitor não traduz corretamente o verso em questão. O texto menciona a atitude dos súditos bem como a atuação do rei, e não a duração da vida dele. Outras edições da versão Almeida já corrigiram o problema e agora o versículo diz assim: “Temer-te-ão enquanto durarem o sol e a lua.”

 

Se olharmos o cabeçalho do Salmo 72, ele informa a quem esse texto POÉTICO se refere: “Referente a Salomão”, o filho do rei Davi, que inaugurou uma nova dinastia após a morte de Saul. De acordo com teólogos, também se refere a todos os que viessem a ocupar o trono nos anos seguintes. Então, o salmista proferiu palavras de incentivo para que essa nova linhagem de reis fosse longa e exercesse a justiça. Vejamos o texto completo para que a citação fique devidamente contextualizada:

 

“Ó Deus, dá ao rei [Davi] as tuas próprias decisões judiciais, e ao filho do rei a tua justiça. Pleiteie ele a causa do teu povo com justiça e dos teus atribulados com decisão judicial. Que os montes levem a paz ao povo, também os morros, por meio da justiça. Julgue ele os atribulados do povo, salve ele os filhos do pobre e esmigalhe o defraudador. Temer-te-ão enquanto houver o sol, e diante da lua, de geração em geração.” – Tradução do Novo Mundo, colchetes acrescentados.


Na linguagem poética do escritor, ele quis dizer apenas que os israelitas deveriam temer a Salomão enquanto houvesse sol e lua, ou seja, durante toda a vida deles. E de maneira estendida, o povo deveria continuar tendo essa atitude em relação a todos os reis seguintes. Se esse não fosse o sentido do texto, e tivéssemos de encará-lo literalmente, significaria que as palavras acima não se cumpriram, pois as pessoas que deviam temer ao filho do rei nem existem mais, tampouco Salomão e os reis subsequentes. Mas o sol e a lua sobre nossas cabeças continuam até hoje. Portanto, essa passagem não vinculou a duração da vida de ninguém ao tempo de existência do sol e da lua.

Algo que pode ser alegado é que comentaristas judeus e cristãos dizem que o Salmo 72 é também uma profecia que se refere ao reinado glorioso do Messias, do qual o reino de Salomão era apenas tipo. Comparação natural e inevitável, pois o capítulo inteiro é uma doxologia. No entanto, esta é uma aplicação ampliada do texto. O mais seguro mesmo é se ater ao que o cabeçalho dele informa: que o texto ‘se refere a Salomão’. E mesmo que também se aplique simbolicamente a Deus e a Jesus, não há como sustentar a opinião do leitor, se considerarmos a visão mais completa do assunto, conforme está sendo comentado aqui.

 

Cosmologia e Astrofísica estão de acordo com a Bíblia?

 

“Temer-te-ão enquanto houver o sol." – Salmo 72:5.

 

Por que o salmista, afinal, incluiu em seu cântico a frase “enquanto houver sol”? O entendimento de que ele estava apenas se referindo poeticamente à longa duração da dinastia davídica é aceitável. Até porque literalmente no hebraico está assim: “Temam-te com o sol.” Entretanto, considerando o que é dito mais adiante, pode significar realmente o que expressa a tradução amplamente aceita: “Temam-te enquanto houver o sol.”

A leitura do Livro da Natureza avançou muito em relação ao que se sabia em séculos passados. Visto que esse “livro” também é de Deus, podemos beber um pouco da fonte de seus “leitores”, os cientistas. Dispositivos de alta precisão indicam que a Lua está lentamente se afastando da Terra, à razão de 4 cm por ano (4 metros por século). A técnica de monitoramento que revela este fato consiste em emitir um feixe de raio laser sobre espelhos que foram deixados na superfície lunar, a fim de calcular a distância entre a Terra e a Lua. Por isso, à medida que os milênios forem se passando a Lua vai ficar cada vez menor no céu até se desgarrar completamente. É difícil estimar quando isso acontecerá porque a velocidade de afastamento diminui à medida que ela se distancia da Terra. Mas obviamente vai demorar muitos milhões de anos. Portanto, um dia não haverá mais Lua, para a tristeza de casais apaixonados, e certamente este será o menor dos problemas de então. Curiosamente o Salmo 72:7 diz o seguinte:

“Nos seus dias florescerá o justo e a abundância de paz até que não haja mais lua.”

Novamente, o leitor da Bíblia poderá enxergar nessas palavras apenas uma maneira poética de se dizer “para sempre”. Mas o que garante que a parte final do texto não significa exatamente o que ela está dizendo? Entender assim estaria de acordo com eventos de natureza cosmológica, que estão sendo descobertos apenas hoje pela Ciência. Aliás, é bom lembrar que a Bíblia já acertou em assuntos semelhantes, reforçando o caráter divino dela. Por exemplo, na época em que quase todas as pessoas acreditavam que a Terra era plana e apoiada sobre alguma coisa, a Bíblia já dizia que nosso planeta é uma esfera suspensa sobre o nada:

“[Deus] estende o norte sobre o vazio, suspende a terra sobre o nada.” – Jó 26:7.

“[Deus] mora acima do círculo* da terra.” – Isaías 40:22.

* “Círculo” é a tradução do hebraico hhugh, palavra que denota esfericidade, de acordo com obras de referência. Outras traduções transmitem ideia similar: “globo da terra” (Pontifício Instituto Bíblico), “redondeza da terra” (Almeida), “cúpula da terra” (Nova Versão Internacional), “orbe terrestre” (Missionários Capuchinhos) etc. Além disso, somente um objeto esferóide apresenta um formato circular sob qualquer ângulo de observação, indicando que “círculo” aqui significa realmente uma esfera.

Tais afirmações foram feitas muito tempo antes do grego Eratóstenes calcular a circunferência da Terra. E somente uns 3.000 anos depois é que Kepler e Newton demonstrariam que a Terra e os demais corpos celestes estão flutuando soltos no espaço, de acordo com as leis da gravitação universal.

Esses dois versículos passaram despercebidos da maioria dos leitores da Bíblia na antiguidade. Será que o mesmo não estaria acontecendo hoje com respeito aos textos bíblicos abaixo, que parecem informar sobre o destino final do sol, da lua e de todo o universo?

“Ó Senhor, lançaste no princípio os alicerces da própria terra, e os céus são obras das tuas mãos. Eles é que perecerão, mas tu é que hás de permanecer continuamente…. todos eles envelhecerão qual roupa exterior, e tu os enrolarás assim como a uma capa, como a uma roupa exterior.” – Hebreus 1:10-12.

“O sol ficará escurecido, e a lua não dará a sua luz…. e os poderes dos céus serão abalados.” – Mateus 24:29.

“Os céus desaparecerão com um terrível estrondo, e os corpos celestes serão consumidos pelo fogo e a terra e tudo quanto está nela serão queimados.” – 2 Pedro 3:10, A Bíblia Viva.

Como foi informado anteriormente, as estrelas não duram para sempre, embora demore bilhões de anos para deixarem de existir. E o Sol é uma dessas estrelas. Os cientistas também teorizam que no futuro longínquo o universo poderá entrar em colapso devido à influência gravitacional da matéria escura. Dizem até que poderá haver uma força contrária ao do Big Bang, que fará o universo se retrair, ao invés de se expandir, até que ele volte ao seu estado original: uma singularidade. E há quem pense que pode acontecer novamente uma grande explosão, e tudo começar outra vez, num ciclo repetitivo de vida e morte.

Os processos da mecânica celeste são estonteantes e assombrosos, e podem nos induzir ao sentimento de reverência descrito nos textos abaixo:

“Quando vejo os teus céus, trabalhos dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem mortal para que te lembres dele, e o filho do homem terreno para que tomes conta dele?” – Salmo 8:3, 4.

“Ó profundidade das riquezas, e da sabedoria, e do conhecimento de Deus! Quão inescrutáveis são os seus julgamentos e além de pesquisa são os seus caminhos!” – Romanos 11:33.

Realmente! ]

 

Compreende por que, talvez sem o saber, condenas Cristo a perder a Imortalidade.


1 Timóteo: 6.16." aquele que possui, ele só, a imortalidade, e habita em luz inacessível;"

 

[Noto que esse leitor frequentemente tem a resposta bem debaixo do nariz e não percebe. Vejamos esse texto por completo:

 

“[Jesus], o Rei dos que reinam e Senhor dos que dominam, o único que tem imortalidade, que mora em luz inacessível, a quem nenhum dos homens tem visto nem pode ver. A ele seja honra e poderio eterno. Amém.”

 

Bem, se Jesus mora em luz inacessível aos homens é razoável deduzir que ele não depende da existência eterna do planeta Terra e que o reino dele é espiritual. De fato, a Bíblia deixa isso claro em vários momentos, a exemplo das passagens abaixo:

 

“[Jesus disse:] Vós sois dos domínios de baixo; eu sou dos domínios de cima. Vós sois deste mundo; eu não sou deste mundo.” – João 8:23.

 

“[Jesus disse:] Meu reino não é deste mundo.” – João 18:36.

 

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, pois ele nos tem abençoado com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em união com Cristo.” – Efésios 1:3.

 

“Deus é Espírito.” – João 4:24.

 

A Bíblia também informa que "carne e sangue não podem herdar o reino de Deus" (1 Coríntios 15:50), indicando assim que até a recompensa dos justos, mencionada no versículo abaixo, deve ser também de natureza espiritual:

 

“O rei dirá então aos à sua direita: ‘Vinde, vós os que tendes sido abençoados por meu Pai, herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo’.” – Mateus 25:34.

 

E para quem não sabe, o texto de Hebreus 1:10-12 se refere a Jesus, aquele cujos anos nunca se acabarão, mesmo depois que os céus e a terra atuais desaparecerem. É uma citação do Salmo 102:25 que, originalmente, se referia a Deus, porém foi atribuído a Jesus. Isto reforça sua eternidade absoluta, que não depende de nada que existe no universo.]

 

SEUS COMENTARIOS EQUIVOCADOS SOBRE HEBREUS 1:10,11 CAUSAM ESTE ENTENDIMENTO ERRÔNEO

 

[Diante de tudo o que foi aqui comentado, não somente sobre o referido texto de Hebreus, já está mais do que na hora desse leitor parar de se agarrar a uma quantidade ínfima de versículos bíblicos (mal entendidos, obviamente) e começar a considerar a quantidade enorme de informações que apresentei a ele, uma a uma. Seria mais produtivo, não acham? ]

 

- - -

 

COMPLEMENTO:

 

“O que dizer das estrelas? Será que elas também estão sujeitas à deterioração natural, como sugere a Bíblia, ou são eternas, como Aristóteles ensinava? No século 16 EC, alguns astrônomos europeus começaram a duvidar da ideia de Aristóteles sobre a eternidade das estrelas. Isso se deu quando observaram pela primeira vez uma supernova, a explosão espetacular de uma estrela. Desde então, os cientistas constataram que as estrelas podem morrer violentamente nessas explosões ou se consumir aos poucos, ou até mesmo implodir.” – Revista A Sentinela, 01/07/11, pp. 27, 28.

 

Ao que parece, o que foi abordado no meu último comentário, levou o leitor “Lucas” a pesquisar nas publicações da Torre de Vigia o que ela diz sobre as leis do universo que determinam a duração dos corpos celestes. Alguns dias depois de encerrado o “debate” acima, o “Lucas” mandou um email para mim recomendando a matéria abaixo, publicada na revista A Sentinela, de onde foi retirado o trecho acima transcrito.

Quem criou as leis que governam o Universo?

Talvez ele tenha pensado algo assim: “O Adelmo acha que o ‘escravo fiel e discreto’ não tem conhecimento dessas coisas. Mas olha aqui. Tudo bem explicadinho...” O conteúdo do texto indicado no link acima é, na verdade, um exemplo clássico do que acontece quando ideias preconcebidas motivam alguém a pesquisar determinados assuntos.

O artigo é bem escrito e visualmente atraente, quando visto na própria revista. Uma de suas fontes de pesquisa foi obviamente o que a Ciência informa a respeito das leis do universo. Até aquele texto de Hebreus 1:10-12 é citado para defender a ideia de que a Bíblia nunca apoiou o antigo modelo cosmológico de Aristóteles, mas que, ao invés disso, já dizia que os elementos existentes no universo são todos perecíveis e um dia se acabam. Estrelas explodem e implodem, e novas são criadas para também morrerem depois. Sim, a revista confirmou quase tudo o que eu disse no meu comentário.

Você pode estar pensando: “Ora, bolas! Então o que é que esse leitor ainda quer discutir?”. Pasme, mesmo com essa “nova luz” praticamente implorando para ser acesa, o autor do artigo concluiu que a Terra vai durar para sempre. Em outras palavras, ela não está sujeita às leis entrópicas do Universo. A afirmação foi feita depois da pergunta abaixo:

“Você talvez se pergunte: ‘Será que a Bíblia ensina que a Terra ou os céus estrelados como um todo terão fim um dia ou precisarão ser substituídos?’ ” – página 28, parágrafo 1.

Naturalmente, o próprio autor se viu obrigado a formular essa pergunta. A combinação do texto de Hebreus com as informações científicas que apresentou nos parágrafos precedentes induziria qualquer leitor a concluir que até mesmo a Terra um dia não mais existirá*, daqui a alguns bilhões de anos**. Portanto, era chegado o momento de desfazer o efeito que o artigo poderia estar causando até aquele parágrafo.

 

* Por exemplo, numa nota da página 28 a revista diz: “No século 19, o cientista William Thomson, também conhecido como Lorde Kelvin, descobriu a segunda lei da termodinâmica. Essa lei explica por que, com o tempo, os sistemas naturais tendem a se degenerar e a cessar. Um fator que o levou a chegar a essa conclusão foi o estudo cuidadoso do Salmo 102:25-27.” [Citado por Paulo em Hebreus 1:10-12] Será então que Lord Kelvin acreditava que o sistema solar vai existir por toda a eternidade? Qual foi a conclusão a que chegou depois do minucioso estudo que fez do referido Salmo? Fazendo referência ao livro "Lord Kelvin e a Idade da Terra", de Joe Burchfield, uma apresentação disponibilizada pela Universidade de São Paulo responde: “Kelvin defendia a ideia de universo decadente, ou seja, em poucos milhões anos ocorreria a morte do Sol. Kelvin estimou alguns milhões de anos para o Sol, tendo como fim a morte de todos que dependem de sua energia para sobreviver.”

 

** Para ter uma ideia de como os cientistas fazem suas estimativas leia o artigo “Como calcular a idade do universo”. Logicamente, os cálculos para descobrir outras coisas, a exemplo do tempo de vida das estrelas ou a taxa de afastamento da Lua em relação à Terra, são muito mais complexos. E não se trata apenas de Matemática, mas também de Física baseada em dados fornecidos por equipamentos sofisticados, inclusive satélites científicos construídos com esse propósito.

Dizer que nosso planeta nunca perecerá, é dizer também que a estrela ao redor da qual ele gira, o Sol, também será eterna, enquanto assiste suas “irmãs” desaparecerem por todo o universo. Apesar disso, o artigo também diz que os céus estrelados nunca desaparecerão, porque as estrelas que “morrem” vão sendo substituídas por outras que vão “nascendo”. Pelo visto, eles interromperam a leitura do livro científico que estavam pesquisando para escrever essa matéria quando chegaram na parte que diz que o próprio universo também terá um fim, conforme sugerem aqueles textos bíblicos citados no meu último comentário.

É óbvio que esse ponto de vista da indestrutibilidade da Terra contradiz frontalmente o que a revista mencionou no restante do artigo. Como é que estrelas explodiriam, buracos negros seriam formados e planetas entrariam em colapso sem que a Terra fosse minimamente afetada por esse ritmo frenético de “nascimentos” e “mortes”? Qual seria a maneira que Deus encontraria para impedir que as leis que Ele criou não se aplicassem ao nosso planeta? A própria revista responde, naquele mesmo parágrafo citado:

“Ele não diz como. Mas você não acha lógico que Aquele que criou o Universo teria o poder de preservá-lo? É como um construtor que se preocupa em cuidar da casa que construiu para si mesmo e sua família.”

Note que o autor desvia o foco. Ao invés de concentrar seu comentário sobre como a Terra poderia ser preservada pela eternidade, ele se limita apenas a dizer que Deus fará que o universo exista para sempre, como numa casa que permanece sempre de pé à medida que seus moradores vão morrendo, com exceção de dois ou três, que são imortais...

Por fim, o autor também cita versículos bíblicos semelhantes aos que foram mencionados pelo “Lucas” para “provar” essa peculiar aplicação das leis do universo que fará a Terra, a Lua e o Sol durarem para sempre. Tais textos já foram comentados mais acima, quando analisei de maneira pormenorizada o último email do “Lucas”. No entanto, destaco agora um dos que estão indicados na Sentinela (colchetes acrescentados):

“E ele mantém [os céus] estabelecidos para sempre, por tempo indefinido. Deu um regulamento, e este não passará.” – Salmo 148:6.

Novamente, vemos as expressões "para sempre" e "por tempo indefinido" juntas. Por que isso acontece? Conforme visto no comentário pormenorizado, "tempo indefinido" com certeza não significa por toda a eternidade, embora possa se referir a um tempo muito longo, bilhões de anos até. Levando em consideração todos os conhecimentos comentados até agora (bíblicos e científicos), incluir “tempo indefinido” numa afirmação que contém “para sempre”, pode ser apenas uma maneira de explicar esta última, conforme sugerido abaixo nos colchetes em azul:

“E ele mantém os céus estabelecidos para sempre, [isto é] por tempo indefinido. Deu um regulamento, e este não passará.” – Salmo 148:6.

Esse entendimento harmoniza textos que poderiam ser vistos como conflitantes entre si. O regulamento que não passará são as leis de Deus. No caso aqui, as leis astrofísicas que regem o funcionamento do Universo e determinam o início e o fim de seus elementos. Isto lembra o que certa vez Jesus disse:

“Céu e terra passarão, mas as minhas palavras de modo algum passarão.” – Mateus 24:34, 35.

 

Conclusão:

No final das contas, o que a liderança das TJs está fazendo é apenas repetir o erro cometido na Idade Média pela Igreja Católica, quando achou que a Terra era o centro do universo e, de alguma maneira, superior aos demais elementos celestes. Hoje sabemos que não é assim.

 

Como quase sempre acontece, os escritores da Torre de Vigia já têm conhecimento das informações que contradizem alguns de seus dogmas. No entanto, elas são devidamente filtradas para que seus leitores não venham a perder a fé naquilo em que acreditam. Portanto, se uma TJ procurar se esclarecer sobre determinados temas apenas por ler o que a Torre de Vigia publica, ela condenará a si mesma a uma “eterna” ignorância esclarecida. Jamais terá uma visão completa dos fatos. É o que demonstra o acima exposto.


 

 

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